Equipar uma casa não se resume mais a fazer uma lista de compras peça por peça. Desde a reforma do DPE e a mudança para o coeficiente de eletricidade de 1,9 em energia primária a partir de 1º de janeiro de 2026, a escolha de cada equipamento estrutural (aquecimento, água quente, cocção) compromete a performance energética da habitação por vários anos. Comparar os itens de equipamento sob essa perspectiva permite hierarquizar as despesas com mais clareza.
Coeficiente DPE e equipamento da casa: o que muda concretamente
Os guias de arranjo clássicos oferecem listas de verificação por cômodo, sem nunca cruzar essas escolhas com a restrição energética. A diretiva europeia 2024/1275 impõe, no entanto, uma nova lógica: visar uma habitação funcionando 100% sem energia fóssil (nem gás, nem óleo) a partir de 1º de janeiro de 2027, apoiando-se na eletricidade, nas energias renováveis ou em uma rede de aquecimento eficiente.
O fator de conversão da eletricidade em energia primária, que passou de 2,3 para 1,9, muda o cenário para as habitações aquecidas eletricamente. Um radiador elétrico eficiente ou um aquecedor de água elétrico otimizado agora melhora a classificação DPE da habitação sem trabalhos adicionais. Em outras palavras, a escolha de um aparelho elétrico econômico pesa diretamente sobre o valor do imóvel.
Esse contexto torna obsoleta a abordagem “comprar o mais barato por categoria”. O bom reflexo consiste em cruzar três critérios para cada item: a função imediata, o consumo energético exibido e a compatibilidade com uma habitação totalmente elétrica ou EnR.
Comparativo dos itens de equipamento por impacto no cotidiano e no DPE
Nem todos os equipamentos têm o mesmo peso no orçamento nem a mesma incidência sobre a performance energética. A tabela abaixo classifica os principais itens segundo sua prioridade de compra e sua influência na classificação DPE da habitação.
| Item de equipamento | Prioridade de compra | Impacto no DPE | Critério de escolha chave |
|---|---|---|---|
| Aquecimento (radiadores, bomba de calor) | Imediata | Muito alto | Tipo de energia, potência adequada à superfície |
| Produção de água quente sanitária | Imediata | Alto | Aquecedor de água termodinâmico ou elétrico de baixo consumo |
| Placas de cocção | Imediata | Moderado | Indução (totalmente elétrica) em vez de gás |
| Refrigerador / congelador | Imediata | Moderado | Classe energética mais alta acessível ao orçamento |
| Máquina de lavar | Primeira semana | Baixo a moderado | Programa de baixa temperatura, capacidade adequada ao lar |
| Camas (colchão, estrado) | Imediata | Nenhum | Conforto, durabilidade dos materiais |
| Iluminação | Imediata | Baixo | LED, dimmers para reduzir o consumo |
| Mobiliário de sala / armazenamento | Diferível | Nenhum | Dimensões verificadas, modularidade |
Os quatro primeiros itens da tabela concentram quase toda a influência no DPE. Investir mais nessas linhas e adiar a compra de móveis decorativos resulta em um melhor resultado global, tanto em conforto térmico quanto na valorização da habitação. Navegar por o equipamento na Brico Déco Home permite identificar rapidamente as linhas compatíveis com uma lógica totalmente elétrica.

Arranjo de cozinha e banheiro: as decisões que contam
A cozinha e o banheiro são os dois cômodos onde se encontra a maioria dos equipamentos de alto impacto.
Cozinha: indução e eletrodomésticos econômicos
Substituir placas a gás por uma mesa de indução elimina um item fóssil da habitação. A indução consome menos energia do que a vitrocerâmica clássica para o mesmo tempo de cocção, o que se traduz em uma economia mensurável na fatura anual.
Para o refrigerador e a máquina de lavar louça, a classe energética continua sendo o critério mais confiável. No entanto, a capacidade deve corresponder ao tamanho real do lar: um aparelho superdimensionado consome mais em carga parcial.
Banheiro: o aquecedor de água como item estratégico
O aquecedor de água representa uma parte significativa do consumo energético de uma habitação. Um aquecedor de água termodinâmico utiliza o ar ambiente para aquecer a água, reduzindo o consumo elétrico em comparação a um aquecedor convencional. Seu custo de compra é mais alto, mas a economia na fatura compensa a diferença em poucos anos.
- Verificar a capacidade em litros de acordo com o número de ocupantes (evitar o superdimensionamento que mantém um volume de água quente desnecessário em temperatura)
- Priorizar um local em uma peça não aquecida (garagem, lavanderia) para aumentar o rendimento termodinâmico
- Controlar a compatibilidade com o quadro elétrico existente, alguns modelos exigindo um circuito dedicado
Quarto e sala: distinguir o conforto imediato do que pode ser adiado
A cama faz parte das compras a serem realizadas antes da mudança. Colchão e estrado condicionam a qualidade do sono desde a primeira noite. No entanto, a cabeceira da cama, a mesa de cabeceira ou os móveis decorativos podem esperar várias semanas sem penalizar o cotidiano.
Para a sala, um sofá com dimensões verificadas ao centímetro evita o problema mais comum durante uma mudança: o móvel que não passa pela porta ou pelo corredor. Medir a largura de cada passagem (entrada, escada, elevador) antes de fazer o pedido continua sendo a precaução mais rentável.

A iluminação merece uma atenção especial. Lâmpadas LED instaladas desde o primeiro dia custam pouco e reduzem o consumo do item iluminação de forma significativa em comparação às halógenas ainda presentes em algumas habitações.
- Prever pelo menos duas fontes de luz por cômodo (luminária de teto e lâmpada de apoio) para modular a atmosfera
- Instalar dimmers nos circuitos principais, o que prolonga a vida útil das lâmpadas e reduz o consumo
- Adiar a compra de luminárias decorativas após algumas semanas de ocupação, o tempo necessário para identificar as áreas realmente mal iluminadas
Equipamento da casa e orçamento: priorizar por fases
Comprar tudo de uma vez muitas vezes leva a escolher produtos de entrada em cada item. Dividir as compras em duas ou três fases permite concentrar o orçamento nos equipamentos de alto impacto (aquecimento, água quente, eletrodomésticos de cozinha) na primeira fase, e depois completar com móveis e decoração em um segundo momento.
Essa abordagem por fases apresenta uma vantagem adicional: após algumas semanas de ocupação, as necessidades reais se tornam mais claras. Um armazenamento que parecia necessário no plano às vezes se revela desnecessário, enquanto uma falta não antecipada (prateleira de lavanderia, móvel de entrada) se torna evidente.
O equipamento de uma casa ganha a ser tratado como um projeto estruturado em vez de uma sucessão de compras impulsivas. Cruzar a restrição DPE com a hierarquia das necessidades diárias oferece uma visão mais sólida do que as tradicionais listas de verificação por cômodo. As habitações equipadas desde o início com um sistema totalmente elétrico eficiente beneficiam-se de uma melhor classificação energética, o que impacta seu valor na revenda, assim como o conforto dos ocupantes.



